Morando no Qatar há 1 ano e 8 meses, James Chadud, de 29 anos, bateu um papo conosco sobre sua experiência em terras árabes.
Confira abaixo, na íntegra, a entrevista completa:
Arabzili: Como é a sua aproximação com a cultura árabe?
James: A cultura árabe é muito rica em diversos aspectos mas a minha maior aproximação é sem dúvida com a comida pelo fato de eu ter descendência Síria, a culinária Síria/Libanera é a melhor na minha opinião entre os países árabes. E também tenho grande admiração pela arquitetura árabe.
Arabzili: Qatar é uma cidade repleta de prédios “estilosos”. Como é para você, arquiteto brasileiro, conviver com a arte dos arranha-céus dia a dia?
James: É sem duvida uma experiência incrível que jamais irei esquecer e um aprendizado constante. Diariamente passo por obras e edifícios que foram projetados por grandes arquitetos que me inspiro e isso faz com que a experiência seja mais rica ainda pois todos os dias eu consigo ver detalhes diferentes em cada edifício que acaba contribuindo para a minha prática arquitetônica.
Arabzili: Quanto aos preparativos para a Copa do Mundo em 2022 que será no Qatar… Sob seu olhar, como o país está se preparando para o grande espetáculo do futebol mundial?
James: Eu nunca vi um país se preparar tão bem em um curto espaço de tempo. Quando foi anunciado que o Qatar iria sediar a copa, o país não tinha praticamente nada para comportar um evento de tal tamanho. Todas as obras públicas que são relacionadas â copa como estádios, metro, estradas, hotéis e demais infra-estruturas estão sendo construídas em alta qualidade para proporcionar a melhor experiencia possível para os turistas e também já pensando no futuro de sua população que irão usufruir disso tudo após a copa.
Arabzili: Poderia nos falar dos projetos de arquitetura que você participou ou atualmente participa em Doha?
James: O Qatar vem investindo bastante em esporte, hoje eu participo em projetos voltado ao esporte e alguns relacionados a copa, o maior deles é um complexo esportivo de aproximadamente 100 mil m² de área construída e também alguns centros esportivos e academias menores espalhados pela cidade.
Arabzili: Sobre morar no Qatar o que é positivo e negativo?
James: Essa é uma pergunta difícil pra um Brasileiro, rs. É mais positivo do que negativo, primeiro a experiência de viver em uma cultura completamente diferente da nossa nos enriquece muito e nos faz enxergar muito além do que estamos acostumados. Segundo que aqui no Qatar há 86 nacionalidades diferentes residindo no país, isso faz com que conhecemos pessoas de diferentes países todos os dias e aprendemos bastante sobre a cultura delas também. Acho que o que há de negativo são algumas restrições da religião que a gente aprende a lidar com o tempo e a distância do Brasil.
Arabzili: Você enfrentou alguma barreira no mercado altamente profissional e competitivo do Qatar?
James: Não cheguei a enfrentar nenhuma barreira, mas a adapção é um pouco difícil devido à metodologia de trabalho deles serem bem diferente da nossa.
Arabzili: Há espaço para arquitetos brasileiros que queiram viver e ter uma experiência internacional e profissão no Qatar?
James: Há espaço sim mas não como antes, eu diria que o boom imobiliário já passou. Primeiro porque hoje há uma crise diplomática bem grave acontecendo entre o Qatar e os países vizinhos que resultou em uma crise econômica também e segundo, os preparativos para a copa já estão em reta final.
Arabzili: Ainda há muitos projetos pessoais e profissionais para serem desenvolvidos em Doha?
James: Não muitos. Reta final já, os projetos que estou responsável devem durar até o final do ano.

BATE E VOLTA:
- Referência de projeto de arquitetura: Se for um projeto que participei, RiverOne por Perkins Will Sao Paulo. De outro arquiteto, Vancouver House por BIG
- Inspiração profissional: Bjarke Ingels
- Na copa do mundo em 2022 eu: Vou torcer para o Brasil no Qatar
- O que mais me encanta no Qatar é: O pôr do sol
- Quando penso no Brasil eu: Crio mais energias para continuar no meu caminho e em breve aplicar o conhecimento no meu País.
- Cidade natal: Anápolis – Goiás
- Formado pela: PUC Goiás
Hoje há quem diga que o processo de uma arquitetetura contemporânea é menos artístico se compararmos com metódos artísticos mais antigos que estão relacionados a trabalhos manuais.

A arquitetura contemporânea que infelizmente ainda não vemos no Brasil está cada vez mais baseada em matemática, algoritmos, dados e tecnologia como tudo em nossa volta. Eu particularmente vejo esse processo e o resultado disso uma arte, assim como um produto tecnológico como um carro ou um celular pode ser chamado de arte também por seus apreciadores.
Velvet Teal Blue







Liza Benedict
2 Days agoHi! Very interesting post! I think natural materials is very important in interior design! The minimalism base on the natural materials and alive unprocessed textures — close to nature.